Na minha sala tem uma corrente de ar que a mantém sempre mais fresca nos dias de calor. Aqui, onde está o computer, de raro em raro, é que vem uma brisa me refrescar, no bafo quente e enfurnado do quarto.
Então, silencioso leit@r, porque o verãozão dura pouco, tudo fica como está.
Eu é que fico mais tempo na sala.
Fui.
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Minha vizinha de janela está pintando suas flores gigantes.
De sua janela, às vezes, olha pra minha e me acena.
Mergulhado aqui no quarto, devolvo o aceno com uma intenção de riso, que se transforma num riso.
Está um dia embruscado.
Os pardais gritam em torno.
Ouvindo seus gritos parece haver uma super população de pardais aqui no vale, mas não. Eles é que são barulhentos.
Muito calor.
De sua janela, às vezes, olha pra minha e me acena.
Mergulhado aqui no quarto, devolvo o aceno com uma intenção de riso, que se transforma num riso.
Está um dia embruscado.
Os pardais gritam em torno.
Ouvindo seus gritos parece haver uma super população de pardais aqui no vale, mas não. Eles é que são barulhentos.
Muito calor.
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Com a chegada do calor, dorme-se menos.
Vou pra cama muito mais tarde do que costumo e acordo mais cedo também.
Achei uma carta que escrevi para meu amigo Edil, no dia 4 de setembro de 1989, na época em que eu dava aula para o supletivo, numa escola do interior do estado.
Estou lhe contando o episódio de um aluno que, ao me ver passar pelo corredor, rumo à sala de aula, ouço perguntar para o colega, num movimento de cabeça que apontava pra mim:
- Que merda é aquela ali?
E, aí, eu continuo lhe contando como a impressão dos alunos ia mudando depois que assistiam às minhas aulas.
Na carta, que não enderecei e não coloquei no correio, conto essa história com absoluta convicção. Mas relendo sua certeza hoje, fiquei indeciso. Eu era um tanto paranóico. Será que foi isso mesmo? Sei lá!
Vou pra cama muito mais tarde do que costumo e acordo mais cedo também.
Achei uma carta que escrevi para meu amigo Edil, no dia 4 de setembro de 1989, na época em que eu dava aula para o supletivo, numa escola do interior do estado.
Estou lhe contando o episódio de um aluno que, ao me ver passar pelo corredor, rumo à sala de aula, ouço perguntar para o colega, num movimento de cabeça que apontava pra mim:
- Que merda é aquela ali?
E, aí, eu continuo lhe contando como a impressão dos alunos ia mudando depois que assistiam às minhas aulas.
Na carta, que não enderecei e não coloquei no correio, conto essa história com absoluta convicção. Mas relendo sua certeza hoje, fiquei indeciso. Eu era um tanto paranóico. Será que foi isso mesmo? Sei lá!
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Perco as oportunidades, chances de me explicar melhor, por conta de ser curto e grosso, quer dizer, meu pavio se apaga logo, sou ansioso e impaciente. Tenho um problema com o tempo, é uma questão com o tempo.
Por isso, minha direção é um tanto às cegas, quer dizer, num pisca-pisca, mais ou menos, acelerado, ao mesmo tempo em que meu aspecto é o de um cara quieto, apagado, se liga...
E quando me decido por ser um pouco mais claro e, aí, me alongar mais, ansioso, as idéias se perdem, como acontece nas pessoas burras.
Vou fazer uma berinjela pro almoço...
É isso.
Por isso, minha direção é um tanto às cegas, quer dizer, num pisca-pisca, mais ou menos, acelerado, ao mesmo tempo em que meu aspecto é o de um cara quieto, apagado, se liga...
E quando me decido por ser um pouco mais claro e, aí, me alongar mais, ansioso, as idéias se perdem, como acontece nas pessoas burras.
Vou fazer uma berinjela pro almoço...
É isso.
Sábado, Novembro 21, 2009
Minha vizinha de trás não tem feito mais festinhas noturnas, porque alguém do predio verde e rosa reclamou do barulho. Ela e o marido, agora, sobem o morro pra se distrair lá em cima e meu vale fica um silêncio delicioso para dormir.
Ontem, quando eu vinha subindo minha escada, ela, que estava estendendo roupa na frente da casa, perguntou:
- Oi, Luís, tudo bem?
- Vou indo...- e fui indo pra dentro de casa.
- Devagarinho, né, meu filho? – ela respondeu amorosa.
Aí, já dentro de casa, sentei na sala e li um pouco do Crime d’O Padre Amaro que Valfredo me deu e que quis ler por causa do cursinho que fiz de literatura portuguesa.
Ler os autores portugueses modernos fez me lembrar dos ótimos livros que foram feitos no século XIX e que eu, particularmente, curto mais, porque eram mais esmiuçados, assim, minuciosos, como se fossem um pano tecido de forma muito espessa e que a gente, ao ler, vê tudo, o pano inteiro com suas cores fortes, sem buracos, ta se ligando, silencioso leit@r?
Então, achei uma passagem que eu curti muito, porque, quando freqüentei a igreja Batista que minha mãezinha gostava de ir, assim que viemos morar aqui no vale, eu também tinha reparado haver nos cultos.
Eis a passagem:
“Quando descia para o seu quarto, à noite, ia sempre exaltado. Punha-se a ler os Cânticos a Jesus, tradução do francês publicada pela sociedade Escravas de Jesus. É uma obrazinha beata, escrita com um lirismo equívoco, quase torpe - que dá à oração a linguagem da luxúria: Jesus é invocado, reclamado com as sofreguidões balbuciantes d’uma concupiscência alucinada: “Oh! Vem, amado do meu coração, corpo adorável, minha alma impaciente quer-te! Amo-te com paixão e desespero! Abrasa-me! Queima-me! Vem! Esmaga-me! Possue-me!”
O Crime do Padre Amaro – Eça de Queiroz
Ontem, quando eu vinha subindo minha escada, ela, que estava estendendo roupa na frente da casa, perguntou:
- Oi, Luís, tudo bem?
- Vou indo...- e fui indo pra dentro de casa.
- Devagarinho, né, meu filho? – ela respondeu amorosa.
Aí, já dentro de casa, sentei na sala e li um pouco do Crime d’O Padre Amaro que Valfredo me deu e que quis ler por causa do cursinho que fiz de literatura portuguesa.
Ler os autores portugueses modernos fez me lembrar dos ótimos livros que foram feitos no século XIX e que eu, particularmente, curto mais, porque eram mais esmiuçados, assim, minuciosos, como se fossem um pano tecido de forma muito espessa e que a gente, ao ler, vê tudo, o pano inteiro com suas cores fortes, sem buracos, ta se ligando, silencioso leit@r?
Então, achei uma passagem que eu curti muito, porque, quando freqüentei a igreja Batista que minha mãezinha gostava de ir, assim que viemos morar aqui no vale, eu também tinha reparado haver nos cultos.
Eis a passagem:
“Quando descia para o seu quarto, à noite, ia sempre exaltado. Punha-se a ler os Cânticos a Jesus, tradução do francês publicada pela sociedade Escravas de Jesus. É uma obrazinha beata, escrita com um lirismo equívoco, quase torpe - que dá à oração a linguagem da luxúria: Jesus é invocado, reclamado com as sofreguidões balbuciantes d’uma concupiscência alucinada: “Oh! Vem, amado do meu coração, corpo adorável, minha alma impaciente quer-te! Amo-te com paixão e desespero! Abrasa-me! Queima-me! Vem! Esmaga-me! Possue-me!”
O Crime do Padre Amaro – Eça de Queiroz
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Minha tia Maria era inteligentíssima, ela dizia:
- Depois que a gente morrer, acabou!
Mas eu não acho isso. Por isso é que eu tenho mantido uma luz acesa, sempre, para ajudá-la e a minha mãe no percurso delas, porque deve ser assim a comunicação com os que já morreram, sei lá, com luz!
Fora isso, estou indo para o Pedro, silencioso leit@r, tomar banho de esguicho.
- Depois que a gente morrer, acabou!
Mas eu não acho isso. Por isso é que eu tenho mantido uma luz acesa, sempre, para ajudá-la e a minha mãe no percurso delas, porque deve ser assim a comunicação com os que já morreram, sei lá, com luz!
Fora isso, estou indo para o Pedro, silencioso leit@r, tomar banho de esguicho.
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Quando eu cheguei no ponto do ônibus, ele estava já encostado e ainda se enchendo de passageiros. A fila de gente ia sumindo dentro dele que estava ficando lotado, com as pessoas espremidas.
Que bom, eu pensei, (uma das coisas que me distrai a cabeça é não chegar atrasado, fico distraído, com a atenção voltada para não me atrasar e o tempo avança muito melhor do que, quando se arrasta num atraso, se liga, bom leit@r. O foda disso é que, quando o compromisso que temos se arrasta atrasado, aí, claro, ficamos fodidos) com o ônibus já ali, vou chegar na hora certa, eu pensei.
Isso era ali no Mergulhão, na Praça XV, e quando eu terminei de descer a escadaria e mergulhei na luz quebrada, enfraquecida do subterrâneo, onde tudo estava mergulhado, quer dizer, os automóveis no trânsito e as pessoas esperando nas filas de ônibus, virei para uma mulher mergulhada naquela fila e perguntei se aquele ônibus me deixaria no hospital.
A mulher, então, pegou e virou, virou, virou de costas pra mim.
Eu vinha num pique só e aquilo de a mulher não me ter dado atenção, de ela me ter embarreirado o pique, porque era uma dessas mulheres neurotizadas com a violência da cidade, me deixou sem paciência e eu fui lá pra frente da fila, achei um buraquinho em que eu pudesse gritar pro motorista se aquele ônibus me deixaria no hospital, ele respondeu que sim.
Então, voltei pro final da fila, pra trás da mulher neurotizada e fui sumindo com ela pra dentro do espremido do ônibus.
Aí, eu tinha ficado tão neurótico com a confusão de entrar, que minha cara deveria estar triste e como um homem tinha me ouvido gritar impaciente para o motorista se aquele ônibus passaria no hospital, ele deve ter pensado que eu estava doente e me ofereceu o lugar dele.
Claro, eu aceitei!
Que bom, eu pensei, (uma das coisas que me distrai a cabeça é não chegar atrasado, fico distraído, com a atenção voltada para não me atrasar e o tempo avança muito melhor do que, quando se arrasta num atraso, se liga, bom leit@r. O foda disso é que, quando o compromisso que temos se arrasta atrasado, aí, claro, ficamos fodidos) com o ônibus já ali, vou chegar na hora certa, eu pensei.
Isso era ali no Mergulhão, na Praça XV, e quando eu terminei de descer a escadaria e mergulhei na luz quebrada, enfraquecida do subterrâneo, onde tudo estava mergulhado, quer dizer, os automóveis no trânsito e as pessoas esperando nas filas de ônibus, virei para uma mulher mergulhada naquela fila e perguntei se aquele ônibus me deixaria no hospital.
A mulher, então, pegou e virou, virou, virou de costas pra mim.
Eu vinha num pique só e aquilo de a mulher não me ter dado atenção, de ela me ter embarreirado o pique, porque era uma dessas mulheres neurotizadas com a violência da cidade, me deixou sem paciência e eu fui lá pra frente da fila, achei um buraquinho em que eu pudesse gritar pro motorista se aquele ônibus me deixaria no hospital, ele respondeu que sim.
Então, voltei pro final da fila, pra trás da mulher neurotizada e fui sumindo com ela pra dentro do espremido do ônibus.
Aí, eu tinha ficado tão neurótico com a confusão de entrar, que minha cara deveria estar triste e como um homem tinha me ouvido gritar impaciente para o motorista se aquele ônibus passaria no hospital, ele deve ter pensado que eu estava doente e me ofereceu o lugar dele.
Claro, eu aceitei!
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