quinta-feira, abril 24, 2014



Nesses dias em que estou dividido entre minha casa e a de Pedro, Preta esteve um dia estranha, mas voltou a estar bem comigo.
É que, leit@r, ela é uma gatinha muito afetuosa, quer sempre estar perto, deixa-se deitar com a barriguinha pra cima, pra receber cafuné, e tudo. Mas estranhei que, um desses dias, estivesse arredia.
Hoje, estive pensando que, talvez, na hora de dormir – ela dorme comigo, mas do lado de fora do mosquiteiro – eu tenha lhe dado muita pernada, cotuvelada, braçada, sei lá, vai ver que não tenho dormido quieto, como saber?
Então, se aconteceu isso e Preta melindrou-se comigo, já esqueceu. Voltou a ser como antes, cheia de manha e amor.
Fora isso, porque a casa do Pedro é mais silenciosa em minha cabeça, voltei a dar meus tapas no “Diário...”, silencioso leit@r. Que está tomando um rumo mais definitivo, em que as primeiras ligas começaram a aparecer, os pontos começaram a encontrar seus lugares, o desenho do bichano surgiu e, quem sabe, fique bom...
Fui.

terça-feira, abril 22, 2014



Reorganizando, muito lentamente, alguma ordem sobre o novo piso.

Além disso, para que eu sustente a organização que sou, bom leit@r, você sabe, preciso fazer alguma coisa pra comer e isso é todo dia e tal.

Não faço a menor ideia do motivo, se é que há algum motivo, de eu viver as circunstâncias que vivo, de eu querer trocar tudo, de, às vezes, ser possível e de, n’outras vezes, não haver opção de troca e tudo fica por isso mesmo, se liga...

Sempre quero apreender essas circunstâncias onde estou, ter uma noção do que acontece em meu torno, mas outro dia, vi de relance na televisão uma mulher que ensinava desenhar as coisas, leit@r, e ela explicava que devemos começar o desenho pelo centro e não por seu entorno. E, então, fez uma demonstração disso e ficou muito bonito o seu desenho. Era um buquê. Um vaso de planta, não me lembro direito.

Eu comecei esse texto a partir de um centro, que é o piso e, querendo dar ao leitor uma noção de seu entorno, precisaria continuar construindo, até que a coisa desabrochasse na sua cabeça, mas, silencioso leit@r, você sabe, não curto posts longos, então, vai ficar só a intenção.

Fui.


sexta-feira, abril 18, 2014



Estou no Pedro com a Preta e isso não é um trava-língua, leit@r.  
Ele viajou.
No início, fico meio perdido, porque sou todo armado em minha casa, o que faço e o que não faço. Mas, depois, trago toda a armação pra cá.
Então, bondoso leit@r, a moral da estória é que sou uma armação.
 A Preta é uma armação.
Quando acordei essa manhã, armado de barriga pra baixo na cama do Pedro, vi que a Preta se armou, encostada à minha coxa esquerda e ficou ali, no meu calor, armada.
E meus primeiros pensamentos da manhã foram que eu e a Preta estávamos armados, dividindo o calor, entrados no calor, um no calor do outro, de modo que estávamos e éramos uma única armação na cama do Pedro, sem rir, sem falar, sem olhar pra trás e tudo, e o meu primeiro pensamento da manhã foi que eu e Preta, misturados em nossa armação, tínhamos os milhões de bichos em movimento que carregamos e que nos habitam,  transitando de uma para outra armação e me lembrei de minha neurotoxoplasmose, que me deixou em coma por um mês e que me tornou essa nova versão que sou de mim mesmo e vi que, agora, com todos os movimentos de minha armação controlados, não corro mais o mesmo risco, nem ofereço risco a Preta e ficamos ali até mais tarde, porque é feriado, silêncio e a temperatura do dia está boa e tal.
Depois, me ergui, ergui a armação do mosquiteiro sobre a cama, saí, chamei por ela, que pareceu pensar um pouco, antes de se decidir por sair do calor de panos que estava ali, naquela armação de coisas sobre a cama e tudo.
 Aí, leit@r, saiu e veio comigo pra cozinha, ficou comigo, enquanto eu preparava o meu desjejum e, quando vim pro computer, desapareceu no quintal.
Dito isso, voltarei a minha casa e ficarei por lá um tempo, onde é meu território.
Fui.

quarta-feira, abril 16, 2014



Ás sextas-feiras, tem tido baile funk no morro em frente a minha casa.
Quer dizer, tem morro em frente a minha casa e atrás de minhas casa, moro num vale, o leit@r sabe. Outro dia, um morador antigo, no ponto do ônibus, estava dizendo que isso aqui era conhecido como Valados, onde ele vinha com os amigos caçar passarinhos e tal.
Voltando ao baile funk, pode ser que ele aconteça atrás de casa e que o som bata no morro em frente e volte, ecoando, de modo que pareça vir do morro da frente. O Pessoal da Frente diz que o baile é na “boca”, porque, agora, com as UPPs no Rio, estão dizendo que as “bocas” estão se abrindo nos morros daqui. E uma delas, vigia nosso portão e tudo. É em frente, no alto, no morro...
Já houve dias em que ouvi um homem gritando os preços da maconha, ele estava anunciando a de dez reais e tal. Achei que era um maluco lá no alto, mas, talvez, fosse a boca se estabelecendo, aberta, pra sempre. E, nas sextas tem o baile, estabelecendo a boca mais e mais, quer dizer, as bucetas e as pirocas varam pelo céu do valado por toda a noite e madrugada. È bonito!
O da última sexta-feira foi mais light de altura, as partes baixas das meninas e meninos voaram mais ao longe, mais alto no céu, ta se ligando, leit@r, ou porque o primeiro deles já nos acostumou, ou porque foi mais baixo mesmo, o som. E menor, porque, de manhã, quando acordei, já tinha acabado...
Fui.

terça-feira, abril 15, 2014



Passei no mercado ante-ontem, com Pedro, e enquanto ele comprava as coisas dele, comprei uma abóbora pra mim. Era uma abóbora bem pequena, muito linda, e eu queria saber o nome dela.
Quando chegamos no caixa, comecei a reparar com Pedro a falta de cortesia das pessoas que atendem a gente no comércio do Rio de Janeiro, porque a moça da caixa deu um grito pra outra, porque ela também não sabia o nome e iria registrar a minha pequena abóbora como um tipo qualquer de abóbora e ficou chateada que eu quisesse saber o tipo da bichana, ta se ligando bom leit@r, a tensão? Aí, veio a outra moça atendendo ao grito enfezado da primeira e disse que era abóbora baiana.
Trouxe minha pequena abóbora baiana pra casa e ontem descasquei ela pra fazer pro almoço, como quem descascasse um bichinho, leit@r. Era incrível a sua aparência com um bicho, um filhotinho de bicho delicado e macio.
E delicioso.
Fui. 

segunda-feira, abril 14, 2014



Tenho direito à gratuidade nos ônibus urbanos, desde antes do ano dois mil, por conta das sequelas a que fui acometido decorrentes do coma de um mês, por neurotoxoplasmose. Nos últimos anos, essa gratuidade começou a precisar ser renovada de tempos em tempos. Fiz o meu recadastramento, com laudos médicos comprovando minha incoordenação motora, que afetou meu caminhar e minha fala. Eu estou a cada dia melhor, leit@r, mas para que eu esteja melhor, tenho necessidade de tratamentos constantes e tudo. E me devolveram o novo passe com direito a dez passagens mensais, quer dizer, cinco saídas de casa, sendo que metade dessas passagens me foram dadas pra que eu andasse de trem, que não tem em Niterói e que não uso para ir a lugar nenhum.
Então, leit@r, tenho estado às voltas com pegar outros documentos que comprovem minha necessidade de gratuidade para as terapias. E tenho andado devagar e muito, muito a pé. Vou entregar o mais rápido lá no terminal, pedindo que revejam a situação. Sorte, que Niterói é miudinho. A fono, que é no Rio, diminuí o número de sessões.
Todos os terapeutas estão me dando força. E a advogada do Grupo Pela Vidda Niterói, Patrícia Diez, está me orientando.
Fui.